Como numa possessão demoníaca aquele calor inexplicável sobe ao peito dificultando a respiração.
As idéias ficam embaçadas e confusas, então uma vontade primitiva invade.
É difícil pensar noutra coisa a não ser naquela necessidade tão forte que chega a torturar.
Cada músculo responde na mesma sintonia.
Uma necessidade talvez explicada pelo instinto de sobrevivência que toma à frente de qualquer outro regido pela razão.
Tontura, adrenalina, sede, dor, confusão.
Um misto de sensações que eliminam quaisquer outras enobrecidas pela tranquilidade de uma vivência racional.
Nesse momento é possível sentir uma presença.
Como uma besta enjaulada e esquecida, com olhos vermelhos como sangue e uma respiração tão pesada que é capaz de transmitir toda sua energia para o ar.
A única coisa que se pode ser vista são os olhos, que não levam a lugar algum, visto que ali não tem espaço para alma ou qualquer coisa do gênero.
Como um cão selvagem sedento pela carne da presa - seja ela qual for -, que permanece imóvel esperando apenas o movimento derradeiro; como a fagulha que acende a fogueira mais antiga, primitiva e necessária da história do mundo.
A fogueira que nenhuma chuva ou vento jamais apagará, porque ela sempre queimou. E queimará eternamente mesmo que não haja oxigênio, pois é nutrida da essência que forma o ser.
Um cheiro acre que invade as narinas assinalana o momento tão esperado quanto inevitável.
Ele avança. Como numa dança primitiva, num ritual conhecido, numa fúria que não pode ser questionada.
O tempo não pára, e nem pode, mas aquele momento é registrado por um mecanismo natural.
Um mecanismo que responde as perguntas mais inquietantes da história da vida, um mecanismo de um movimento só.
Como o mecanismo que inclui um ser na existência.
O mecanismo da morte.
Pô, esse é muito lindo *-*
ResponderExcluirMais lindo ainda é você ter voltado a escrever aqui...
Adoro seus fluxos de inspiração (: